domingo, 2 de dezembro de 2012

Encontros no fim do mundo (Encounters at the end of the world, 2007)

Herzog viaja para o pólo sul para realizar esse documentário sobre a vida dos cientistas na Antártida. Partindo dessas entrevistas, o diretor constrói uma visão inaugural sobre o significado da vida nesse continente.





Se inúmeros documentários levantam diversas imagens sobre a vida na Antártida, parece-me que Encontros no fim do mundo apresenta a visão mais humana sobre o tema. No filme, Herzog se coloca como um catalisador das opiniões, perspectivas e impressões dos entrevistados, apresentando ao espectador uma Antártida que é vivida (e sentida) pelos seus interessantes personagens.

Logo no início do documentário, Herzog já avisa que não fará apenas um filme sobre pinguins, e fica claro um certo incômodo em ter aceitado o convite para a realização do filme. O diretor se questiona sobre o que ele está fazendo, e até iniciar os seus encontros, o narrador do filme parece não querer estar lá, afirmando durante seu o vôo até o continente que: "Eu estava até surpreso em estar nesse avião".


A Antártida procurada por Herzog começa a se manifestar quando o diretor encontra o seu primeiro entrevistado, o motorista do ônibus que o leva até a base. O diretor quer saber o que esse homem está fazendo lá, e o seu relato é a primeira imagem dessa Antártida herzoguiana: o continente é um palco para vidas que se relacionam com o mundo de um modo muito particular. A semelhança entre esse motorista, que é um ex-bancário, entre um linguista que se sente bem em estar num continente sem língua e entre um mergulhador apaixonado por ficção científica apocalíptica é o senso de deslocamento em relação ao mundo. A Antártida do filme é o resultado da união de visões extremamente particulares sobre o mundo, sendo um espaço para que essas pessoas encontrem um tipo de liberdade impossível no mundo civilizado. Esses pontos de vista somam-se à visão particular de Herzog, segundo a qual nossa vida no planeta está limitada a uma breve experiência.


O filme é centrado nas pessoas que foram jogadas naturalmente nesse ambiente inóspito, sendo testemunhas de um mundo extremo. Não fossem esses indivíduos, essa terra gelada seria apenas um ponto no mapa a ser conhecido e registrado. Herzog parte, assim, dos relatos para imprimir as suas próprias impressões e julgamentos, transformando o que seria um documentário sobre a vida animal em um registro de reflexões sobre a condição da humanidade no planeta.



Encontros no fim do mundo (Encounters at the end of the world)
Direção, roteiro e narração: Werner Herzog
2007, EUA, 99 min

Nenhum comentário:

Postar um comentário